27 de maio de 2015

Gravity (Gravidade)

Gênero: Sci-Fi/Thriller
Distribuidora: Warner Bros.
Produtoras:
Warner Bros.
Esperanto Filmoj
Heyday Films
Diretor: Alfonso Cuarón
Orçamento: $100M
Ano de Lançamento: 2013


Filme de 2013? Posso colocar a quantidade de spoilers que eu desejar.

            Apesar de ser o grande vencedor da cerimônia do Oscar do ano passado onde levou 7 estatuetas eu preciso confessar que Gravity foi de longe o pior filme que assisti nessa nova fase do blog iniciada agora em abril de 2015.

            A maior parte desses prêmios no Oscar foram de categorias técnicas, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição. Mas o filme também ganhou estatuetas em outras categorias como Melhor Fotografia, Melhor Diretor e Melhor Trilha Sonora.

            Não irei discutir os aspectos técnicos do filme, o filme realmente tem excelentes efeitos visuais, uma fotografia boa e um som louvável. Mas a estatueta de melhor diretor para o Alfonso Cuarón é algo muito discutível.

            Tentarei também não ser chato e não citar as dezenas de erros científicos que o filme possui. Apesar de que se você tiver a mínima noção de tais erros, eles irão consumi-lo do inicio ao fim do filme. Caso você não saiba os erros científicos do filme, clique aqui e mais aqui para conhecê-los.

            Agora vamos falar de uma das únicas coisas realmente boa no filme Matt Kowalski (George Clooney), Clooney interpretou seu personagem de maneira grandiosa fazendo com que você se importasse com a sua história e, além disso, alternar momentos leves e pesados durante a trama.

            Já a Ryan Stone (Sandra Bullock) tem muitos problemas. O personagem não transmite empatia alguma do começo ao fim do filme e isso é de se impressionar. Os únicos momentos que você considera gostar do personagem são quando a morte da filha dela é comentada no filme, pois de resto você torce para ela ir passear pelo espaço.

             Essa falta de empatia se deu no meu caso por conta dela ser extremamente inútil e incapaz de fazer coisas que seriam usuais para um astronauta, é diferente você ver um filme e já esperar que o personagem fosse como um Debi & Lóide, agora você assistir um Debi & Lóide em forma de astronauta destrói toda áurea dessa profissão. “Everydoby wants to be an astronaut”


            
               Além da Bullock e do Clooney temos o Ed Harris como controlador da missão em Houston, de resto não temos mais atores ou atrizes para citarmos do filme. Alias o filme é um grande monólogo da Bullock, na maior parte do filme ela é única presente na tela.

             É louvável que a Bullock tenha segurado o filme sozinha, ela realmente o fez com maestria, comprovando mais uma vez que é uma excelente atriz.     

              O problema maior do filme é que ele se tornou previsível do inicio ao fim. Ryan está fazendo alguma coisa, faz errado e acaba destruindo ou gerando um caos catastrófico. Isso acontece desde a primeira cena quando ela está tentando arrumar o painel de comunicação na estação espacial até a cena final do filme quando ela já está na terra e tentar nadar com a roupa de astronauta.

               O filme tem algumas cenas interessantes, e a principal delas, de longe é aquele em que a Ryan está na Soyuz, alias Ryan é um nome extremamente masculino para uma mulher, e ela está prestes de desistir e cometer um suicídio, pois estava sem combustível na nave e impossibilitada de ir até a estação espacial chinesa. Mas daí ela tem uma visão do Matt, que havia morrido, onde ele falava que pousar era igual a lançar, ou seja, ela precisaria acertar os comandos da nave para pouso que a nave seria lançada na direção que ela escolhesse.

            Confesso que demorei um pouco demais para ver esse filme, acho que eu já estava imaginando que não iria gostar do mesmo e acabei deixando-o em segundo plano, assim como estou fazendo com Boyhood.

            Gravidade consegue ser ainda pior se comparado com Interestelar que é um excelente filme. Sem a presença de Interstellar ele já não seria um filme bom, agora caso você coloque na conta Interstellar o resultado para Gravidade será ainda pior.

            O filme tem um timing adequado e não é extenso, se tivesse que assistir mais 10 minutos do filme esses seriam um dos minutos mais longos da história de todos os filmes que já assisti.

            Eu não posso fechar os olhos e negar que eu não tenha sido contaminado pelos erros científicos presentes no filme e o fato da Ryan ser extremamente inútil. Ambos os fatores fizeram com que eu ficasse com raiva do filme. Caso você consiga relevar esses fatores você conseguirá ter uma excelente experiência com um filme que tem efeitos especiais estonteantes e uma fotografia fantástica.

            Avaliação: 60/100

 
Gravidade (2013) on IMDb

23 de maio de 2015

Ex Machina

Gênero: Drama/Sci-Fi
Distribuidora: Universal Pictures
Produtoras:
DNA Films
Film4
Diretor: Alex Garland
Orçamento: $11M
Ano de Lançamento: 2015


O que é um spoiler? Eu deveria saber o que é um spoiler? Se eu te perguntasse, você saberia definir?

            Nada como começar a frase de alerta de spoiler falando sobre os jogos mentais que o filme propõe, não cheguei nem perto na frase em negrito acima, mas o processo de construção é similar. Ex Machina é o exemplo de filme que você precisa prestar atenção em todos os diálogos e movimentos de cada cena.

            O filme se inicia com Caleb (Domhnall Gleeson) ganhando um concurso para ir até a residência do seu chefe o bilionário Nathan (Oscar Isaac).

            Nathan é dono da maior empresa de busca pela internet, qualquer semelhança com o Google é mera coincidência, a Blue Book. Ele programou o código de busca da Blue Book aos 13 anos, construindo assim ao longo dos anos seu império.

            Caleb ao contrário do que imaginava não ganhou um concurso, mas sim escolhido por Nathan para realizar um teste. Nathan criou um ser de Inteligência Artificial, chamada Ava (Alicia Vikander), e precisava de Caleb para realizar um teste de Turing para determinar se Ava possuía consciência, ou seja, poderia passar por um ser humano.

            Estendendo um pouco mais sobre o teste de Turing, seria interessante se você visse ou tivesse visto The Imitation Game (O Jogo da Imitação) onde o Benedict Cumberbatch faz o papel de Alan Turing. Caso você não saiba o que é o teste de Turing clique aqui para entendê-lo melhor.

            Caleb então começa a encontrar com Ava para testá-la, mas ao contrário do teste de Turing original em que o interrogador humano não tinha contato visual com o interrogado, no caso do filme eles podiam se ver através de um vidro.

            Caleb começa então a criar empatia por Ava e mesmo sabendo que ela é um robô. E passa a ter certa obsessão por ela e a acreditar em tudo o que ela fala. Tanto que eles contam segredos nas horas que a energia do bunker cai e nesse momento Nathan não consegue mais vê-los. Ava revela pra Caleb que ela é a responsável pelas quedas de energia, lembre-se disso do começo ao fim do filme.
           
            Nathan possuía uma empregada um tanto quanto incomum chamada Kyoko (Sonoya Mizuno), que não fala nada, Nathan alegava que ela não sabia inglês, e apenas fazia as tarefas de casa e começava a tirar a roupa quando Nathan ou Caleb se aproximavam muito.

            Se você prestou atenção no diálogo que Nathan revela que Ava possuía a capacidade de transar por possuir estimuladores de prazer entre as pernas dela, e que a personalidade da Kyoko, não ficará surpreendido quando Caleb descobrir que Kyoko também era uma inteligência artificial e que possuía outras como ela dentro do guarda-roupa de Nathan.

            Não contarei os acontecimentos após Caleb descobrir esse segredo de Nathan, pois as mensagens dentro do filme fazem você imaginar o que acontecerá daqui pra frente no filme, mas para ajudar colocarei algumas características dos personagens principais.

            Caleb perdeu seus pais com 15 anos, era solteiro, programador e dotado de uma inteligência elevada. Nathan era um bilionário inteligente e possuía um grande poder manipulativo. Ava também possuía uma grande habilidade manipulativa e uma personalidade encantadora, é preciso salientar também que Ava era linda, sendo muito difícil dentro daquele ambiente não se apaixonar por ela.

            Todos os atores desempenharam seus papéis de maneira satisfatória, e a escolha da Alicia para Ava foi extremamente acertada, pois ela colaborou e muito para se criar a empatia que Ava precisava.

            Avaliação: 83/100


Ex Machina (2015) on IMDb

19 de maio de 2015

The Theory of Everything (A Teoria de Tudo)

Gênero: Biografia/Drama
Distribuidora: Focus Features
Produtoras:
Working Title Films
Diretor: James Marsh
Orçamento: $15M
Ano de Lançamento: 2014



Biografia? Ninguém tem direito de reclamar de spoilers!

            Meu único arrependimento em relação a esse filme foi de não tê-lo visto antes. Apesar de ser um pouco arrastado, o filme passa uma mensagem forte e conta atuações convincentes. Alias o Eddie Redmayne já merecia o Oscar com 20 minutos de filme.

            O filme conta a relação do renomado físico e cosmólogo Stephen Hawking (Eddie Redmayne) com a sua primeira esposa Jane Wilde (Felicity Jones). A atuação de ambos é algo digno de aplausos, como citado acima, a estatueta de melhor ator no Oscar para o Eddie foi extremamente merecida e a Felicity também tem uma atuação muito forte e convincente.

            O filme também mostra a relação entre Hawking e o seu orientador em Cambridge Dennis Sciama (David Thewlis) que se tornaram amigos na época da orientação de Hawking até a morte de Dennis em 1999, não mostrada no filme.

            Hawking ainda não tinha desenvolvido sua doença nos primeiros momentos de sua vida acadêmica em Cambridge, tanto que ele era um garoto comum, apesar de ser um pouco desajeitado, mas possuidor de amigos como Brian (Harry Lloyd).

            Hawking conhece Jane numa festa e a partir desse momento já se apaixona por ela e tenta se aproximar dela aos poucos, chamando-a para sair e fazer programas juntos. Até que eles finalmente se beijaram no baile da faculdade.

            Porém a vida traria uma surpresa traiçoeira para Hawking e ele desenvolveu Esclerose Lateral Amiotrófica, cujo diagnóstico na época não era nada alentador, Hawking provavelmente teria no máximo dois anos de vida, ele tinha apenas 21 anos na época.

            Hawking foi mais forte que a doença, casou com Jane e teve três filhos. A evolução do estado de saúde de Hawking foi mostrado durante todo o filme, desde os estágios iniciais com a perda de equilíbrio e a dificuldade de realizar certas tarefas, a perda da capacidade de andar e movimentar seus membros e o momento que ele precisou realizar uma traqueostomia por conta de uma pneumonia que ele havia adquirido e por conta disso perdeu a capacidade de falar. 
            Nesse momento do filme Jane já havia conhecido Jonathan (Charlie Cox). (É a primeira vez que faço isso aqui, mas é impossível não citar a atuação de Charlie como Matt Murdock na série Demolidor da Netflix, caso não tenha assistido, assista, uma das melhores séries dos últimos tempos). Jonathan era maestro de uma igreja, vale salientar nesse momento que Jane era religiosa enquanto Hawking é ateu. Jonathan passou ajudar Jane nos cuidados de Hawking, se tornando um grande amigo da família.

            O filme também mostra a separação do Hawking e Jane, ela já estava tendo um caso com Jonathan que foi bem atenuado no filme, e o inicio da relação de Hawking com uma de suas enfermeiras Elaine Mason (Maxine Peake).
           
            Além disso, o filme também mostrou parte do processo da criação de Uma Breve História do Tempo, o livro mais famoso de Hawking.

            Vou fazer alguns adendos em relação à história real de Hawking e o filme. Primeiro de tudo na vida real ele já conheceu a Jane sabendo que tinha a doença e ela era amiga de sua irmã, algo que não ocorre no filme. No filme ele conhece a Jane antes de saber que tinha a doença. Segundo Jane traiu Hawking com Jonathan por um bom tempo e Hawking tinha conhecimento disso, mas no filme isso foi extremamente suavizado. Não vou citar aqui a relação conturbada que ele teve com a Elaine o que ocasionou a separação de ambos nos anos 2000.

            Uma característica que devemos salientar no filme é a escolha de atores ingleses, Hawking é inglês, todos os atores que citei nesse post são ingleses.

            O filme mereceu concorrer ao Oscar de melhor filme, mas careceu de uma melhor direção e fotografia além de um roteiro mais forte para chegar ao panteão.

            Avaliação: 81/100



A Teoria de Tudo (2014) on IMDb